Dr. Carlos Roberto de Faria Facebook ad: “LUCRO (18/09/2025)”

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LUCRO (18/09/2025) Carlos Roberto de Faria Depois de milhares de anos vivendo como os outros animais o homo de neandertal-sapiens, aparentemente com o domínio da agricultura, iniciou a vida em grupos, que evoluíram para tribos, vilarejos, vilas, cidades até chegar às megalópolis. Essa “evolução” já dura cerca de 12 a 20.000 anos e ocorreu devido a vários acontecimentos, como a invenção da escrita, o conhecimento da matemática, da astronomia, a criação e evolução da arquitetura, a invenção da roda e dos transportes, a navegação, a criação de animais e o desenvolvimento da agricultura, a produção em série das indústrias e talvez, finalmente, a invenção do dinheiro, com sua evolução para o mercado e o desenvolvimento dos bancos e seus similares, onde o capital passou a ser um produto em si, capaz de produzir grandes lucros. O dinheiro, indubitavelmente, alavancou o comércio entre os povos e a navegação permitiu a “colonização” de praticamente todos os cantos do mundo. O lucro permitiu que se investisse cada vez mais na produção e distribuição dos bens. Assim, as pessoas, empresas ou países que tivessem maiores lucros, cresceriam cada vez mais. Até onde minha percepção de leigo permite imaginar, quem tivesse os melhores produtos lucraria mais. As descobertas e as invenções eram usadas por todos, indiscriminadamente, até 1421, quando se criou o conceito de “patente” para um guindaste de transportar mármore. Em 1474 foi promulgada, em Veneza, a primeira lei de patentes. Desde então muita água passou debaixo da ponte. As propagandas comerciais começaram a aparecer em jornais, em Londres, em 1472, até tornarem-se onipresentes e praticamente determinam o que todos vão comprar em todo o mundo. A criação da “patente” foi uma forma de garantir mais poder aos poderosos. O arco e a flecha foram usados por mais de 20.000 anos por todos os povos, bem como a roda (mais de 5.500 anos), sem ter de pagar “patente”. Até o anos de 1421 todos copiavam (e aparentemente melhoravam) tudo. A partir daí, não. Os detentores dos conhecimentos fecharam as portas para o mundo. As empresas produzem o que tem potencial para dar mais lucros, sem considerar qualquer outro valor. Para usar um único exemplo, o cigarro faturou bilhões de dólares no século XX, promovendo uma imagem positiva do tabaco, mesmo quando as pesquisas médicas mostravam claramente a associação do fumo ao câncer de pulmão e ao enfisema pulmonar. Foram necessárias muita luta e muitas mortes para atenuar-se sua produção e seu consumo, que ainda hoje existem. Infelizmente o exemplo vale para qualquer produto em todos os cantos do mundo. O que quer que dê lucro será produzido e vendido, independentemente do mal que possa gerar. Vejam as drogas. A maconha, a cocaína, o ópio, a heroína, o craque, as drogas sintéticas e suas inúmeras variáveis destroem milhares de vidas, de famílias, de comunidades e são produzidas e vendidas universalmente. Por quê? Porque dão lucro, muito lucro. Obviamente eu não estou condenando o lucro. Ele foi e continuará sendo indispensável como grande gerador de desenvolvimento; só não deveria ter-se tornado o ÚNICO valor a ser considerado. Não deveria ter sido elevado ao posto de deus supremo. Eu me lembro de uma lei “antitruste” (acho que era esse o nome) que não permitia, nos Estados Unidos, que uma empresa se tornasse muito grande, destruindo a competitividade das menores. Elas eram forçadas a dividir-se em empresas menores ou seriam fechadas. Parece que “não pegou”. Muitos empregos de costureiras, alfaiates, sapateiros, doceiras, quitandeiras, pequenas vendas, açougueiros desapareceram, substituídos ou absorvidos por Shoppings ou grandes empresas, simplesmente porque dão mais lucro. O pequeno lucro de milhões de trabalhadores foi transformado em gigantesco lucro de pouquíssimos privilegiados. Dignidade, honestidade, cortesia, cavalheirismo, amizade, companheirismo, humildade, lealdade... Bobagem. Lucro é o que importa. Parece-me que o “homo economicus” está caminhando em direção às cavernas, apenas substituindo a força bruta pelo lucro bruto.







