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ela tentou. fod@-se, ela tentou. pendurou as asas no cabide, vestiu o avental emocional, aprendeu a cozinhar silêncios a engolir vontades com vinho barato. ele dizia: “senta.” e ela sentava. “não faças barulho.” e ela tornava-se sussurro. “não sejas tanto.” e ela amputava pedaços do peito como quem corta unhas. queria ser amada mas o amor que nos pede menos é uma forma bonita de morrer devagar. era borboleta, car@lho. quis ser canário de sala. ficar ali, presa, no poleiro emocional de um idiota que não sabia a diferença entre cuidar e possuir. tentou sorrir com os olhos secos, tentou fazer da gaiola um lar, tentou fazer da prisão uma escolha. um dia, ao limpar o chão dos restos do que já não era, sentiu cócegas nas costas: as asas ainda estavam lá. fumou um cigarro, bebeu um gole, pensou: que se fod@. abriu a janela, voou sem destino, nunca mais pediu licença para ser. _ O HOSPITAL DE ALFACES Disponível em todos os hipermercados e livrarias
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